Toda terça-feira, há mais de 2 anos, minha mãe e um grupo de amigas se reúne para jogar conversa fora. Minha mãe tem 51 anos e a idade das senhoras é mais ou menos essa. São mulheres “jovens há mais tempo”, como elas costumam dizer. Falam, gesticulam, discutem, riem e choram ao som de clássicas da MPB ou Kings of Convenience.
A pauta é variadíssima: discorrem sobre suas vidas, sobre as vidas dos outros, aquela situação da novela, o problema dos animais abandonados, relacionamentos, trabalho, filmes, ética, academia, culinária, enfim, falam da vida. A cada semana a reunião é em uma casa diferente. Como elas são agora apenas 3 freqüentadoras assíduas (embora o grupo já tenha sido bem maior), pelo menos uma vez por mês o encontro é aqui em casa. Minha mãe capricha. Faz pipoca, chimarrão, serve um bom vinho nas noites geladas que vêm fazendo nesse inverno exageradamente frio. E sempre há um livro. Retiro-me para deixá-las mais a vontade.
- Bacana esse bate-papo aí. Sobre o que vocês conversam?
- Ah filha, de tudo um pouco. Mas não conversamos… estudamos. É nosso grupo de estudo.
(Tá bom mãe, conta outra!)
- Por isso o livro? – perguntei meio descrente.
- Sim, o livro… escolhemos um livro e fazemos uma leitura dinâmica dele, toda semana lemos um ou dois capítulos, depois discutimos. Tentamos levar os ensinamentos do livro para a parte prática, para a vida.
- Hmmm, interessante… – murmurei. – E o que vocês estão lendo agora?
- “Os quatro compromissos”, de Don Miguel Ruiz, um mexicano que nasceu em família de descendência indígena, mas trilhou os caminhos da vida contemporânea. Em determinado momento, sentiu a necessidade de voltar às origens… A obra fala da filosofia de vida dos toltecas, uma antiga civilização pré-colombiana que habitava a região que hoje é México. Os toltecas acreditavam que você deveria guiar sua vida baseado em apenas 4 atitudes para “ganhar o céu na Terra”.
- Os toltecas, claro, primos dos astecas! – Rimos.
Quando pronunciei o “Hmmm, interessante…” ali em cima, no diálogo, foi um dos “Hmmm, interessante…” mais sinceros que já disse. Achei a iniciativa interessantíssima mesmo. Dividir ideias, sentimentos, opiniões e percepções é o único tipo de divisão em que nunca se sai com menos do que se entrou. Talvez elas não saibam, mas se reunindo e conversando sobre a vida, sobre os problemas de cada uma e sobre os problemas do mundo, estão fazendo uma excelente terapia. “Um homem pode saber mais do que muitos, porém nunca tanto como todos”, como observou o Marquês de Maricá. Além disso, o encontro alimenta a mente com novos conhecimentos e a alma com frequentes sessões de desabafos e gargalhadas.
Ficou curioso sobre os 4 compromissos?
Adiantarei só o título de cada um, mas não deixe de ler o livro, é leve, breve e acessível. Vale a pena.
1. Seja impecável com a sua palavra
2. Não leve nada para o lado pessoal
3. Não tire conclusões
4. Faça o melhor possível

RUIZ, Don Miguel. Os quatro compromissos: o livro da filosofia tolteca. 7 ed. São Paulo: Best Seller, 2005.