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Por que você ama quem você ama?
Por Rosana Braga :: www.rosanabraga.com.br
O memorável Carlos Drummond de Andrade, um de nossos poetas mais conhecidos, certa vez escreveu que “existem muitas razões para não se amar uma pessoa, mas apenas uma para amá-la”. No sentindo mais poético e eloquente da questão, é muito provável que a afirmação dele esteja correta! Entretanto, estamos longe de saber amar somente com poesia e eloquência e, assim, buscamos incansavelmente as razões.
Assim, começo essa reflexão propondo que você responda a seguinte pergunta: quais são as razões do seu coração? Ou melhor, quando você olha pra essa pessoa que diz amar, como completaria a frase “eu a amo porque…”? O que faz com que essa pessoa se torne, ao seu coração e de acordo com os seus valores, digna de ser amada?
Posso apostar que, enquanto apaixonados, preencher essa frase com muitos e muitos motivos é, além de fácil, um enorme prazer. Porém, conforme vocês se deparam com o aspecto humano nu e cru um do outro, conforme se vêem diante da navalha da convivência e da cobrança da realidade, as idealizações vão desmoronando uma a uma, até ficar evidente também o que existe de mais apático e sem cor em cada um! Daí, então, completar a frase com apenas uma razão que seja, pode se tornar um árduo, sufocante e doloroso desafio.
Eu estaria sendo absurdamente injusta se deixasse os crentes no amor acreditarem que o tempo desfaz as máscaras das mais belas qualidades que o outro tem quando nos apaixonamos por ele. Não, não é isso! Primeiro, porque não se tratam de máscaras. O outro é mesmo dono de cada uma dessas preciosidades. E depois, porque o tempo não é exatamente o responsável por torná-lo vulnerável e pálido no palco da conquista e da sedução.
Mais do que o desenrolar da vida, que insiste em evidenciar e até intensificar nossos medos, inseguranças e aqueles incômodos sentimentos inerentes às relações amorosas, como ciúme, possessividade e crenças sobre homens, mulheres e relacionamentos, é a maneira como adubamos -ou deixamos de adubar- esse solo em que cresce nosso amor, que vai nos tornar fortes, robustos e amadurecidos ou… anêmicos, fragilizados e imaturos!
Portanto, para que você esteja com as razões na ponta da língua quando tiver de responder, seja para si ou para quem quer que seja, sobre por que você ama quem você ama, só tem um jeito: treinando, exercitando o reconhecimento, ou melhor, elogiando essa pessoa que você escolheu para se relacionar!
O elogio é altamente poderoso, afrodisíaco, consistente e benéfico. Cura desconfianças infundadas, fortalece a autoestima, reforça os laços de cumplicidade e intimidade, alimenta o desejo e solidifica a mútua admiração. Portanto, se você consegue enxergar as qualidades do seu amor sem nenhum esforço, aproveite para começar a contar a ele, pelo menos uma vez por dia, sobre alguma das razões pelas quais você o ama. Mas se sua relação estiver desgastada, desbotada e murcha, então, você terá de se esforçar. Mais do que depressa, comece a relembrar das razões que fizeram você se apaixonar por essa pessoa e declare-as o maior número de vezes possível.
Diga algo como “amo você porque você é uma pessoa carinhosa e atenciosa comigo”, e ponto final. Sem mais delongas. Mas faça isso por vários dias seguidos, sem previsão de parar. E se essa pessoa não estiver sendo o que você está dizendo que ela é, certamente vai, em breve, sentir-se motivado a fazer por merecer cada um de seus elogios.
Sim! Porque somos motivados pelo reconhecimento de nossas atitudes. Mas, infelizmente, fomos pesadamente treinados para reconhecer o que o outro fez e faz de errado, de ruim, que nos magoa. Mas nos esquecemos de reconhecer e até de agradecer pelo que ele fez e faz de certo, bom e que nos agrada.
E assim, desnutridos, sem força e desmotivados, os amores vão morrendo sem que a gente se dê conta dos motivos. E tudo poderia ser tão diferente se nos respondêssemos mais vezes – e contássemos isso ao outro – sobre as razões pelas quais ele é tão digno de ser amado!
Love Is Walking Hand In Hand: The Peanuts Gang Defines Love, 1965
‘Love is being happy knowing that she’s happy… but that isn’t so easy.’
The Peanuts series by Charles M. Schulz endures as one of the most beloved cartoons of all time, partly because of Schulz’s gift for capturing the great, tender truths of human existence through remarkably simple, sometimes poetic, often humorous, always profound vignettes. Hardly does it get more profound and poetic, however, than in Schulz’s 1965 book, Love is Walking Hand In Hand – an utterly lovely tiny treasure, in which Lucy and Snoopy and Charlie Brown and the rest of the Peanuts gang define love through the simple acts and moments of everyday life.
Tradução:
“O amor anda de mãos dadas: o retrato do amor pela turminha dos Peanuts, 1965″
‘Amar é ficar feliz pelo simples fato de saber que ela está feliz… mas isso não é nada fácil.’
A série Peanuts de Charles M. Schulz continua sendo um dos mais queridos cartuns de todos os tempos, muito por causa da habilidade de Schulz em retratar as grandes verdades da existência humana através de tirinhas notavelmente simples, às vezes cheias de poesia, outras vezes cheias de humor, mas sempre muito profundas. É difícil, entretanto, encontrar um trabalho de Schulz tão profundo e poético quanto o livro “O amor anda de mãos dadas”, de 1965, um adorável e pequeno tesouro onde Lucy, Snoopy, Charlie Brown e o resto da turminha definem o amor através de tirinhas que retratam atos simples e cotidianos.
Fonte: http://www.brainpickings.org/index.php/2012/03/30/love-is-walking-hand-in-hand-schulz-peanuts/
[Matéria feita para o Jornal Voz do Oeste de 20 de setembro de 2011]
Amor animal
Cicarelli, Gauchinha, Juninho, Rita, Morena, Pretinha, Mel. Como numa chamada em sala de aula, Claudete vai conferindo mentalmente quem já ganhou comida. Estes são nomes de alguns dos quase 40 animais abandonados que Claudete abriga em sua casa.
Claudete Michailoff é uma mulher alta, encorpada. Os cabelos grisalhos e curtos combinam com seu jeito prático. Claudete diz que não há como ser diferente: a rotina começa cedo e é trabalhosa. Durante a manhã, toma conta da bicharada; dá banho, remédios, limpa a pequena varanda e o quintal de terra onde ficam os animais. Os maiores e os mais briguentos ficam nos fundos da casa. Quando chove o trabalho é dobrado, a terra vira lama e não se avista uma patinha limpa sequer.
De meio dia se arruma, toma o ônibus e vai para o trabalho. Claudete é funcionária da prefeitura e trabalha no Albergue João Piltz, que atende moradores de rua e pessoas que vêm à Chapecó fazer tratamentos de saúde e não têm condições de custear uma hospedagem. Brinco que ela está predestinada a ajudar seres, bichos e gentes que, por variados motivos, não têm para onde ir. Claudete deixa escapar um sorriso tímido e concorda.
Claudete é uma espécie de São Francisco para os animais de rua de Chapecó, um sopro de esperança. Ela não sabe explicar de onde vem o amor pelos bichos, acha que tem o coração mole. “Você passa na rua e vê uma ninhada ou um cachorro abandonado na beira da estrada. Não dá pra olhar e não fazer nada, aí você leva pra casa. Na próxima vez que passa tem mais um, e nem sempre você consegue doar os que já têm. Aí acumula, como eu tenho agora, quase 40”, explica.

Carinho, alimento e cuidados: os cachorros não precisam de muito. Claudete é como um “São Francisco” para os animais abandonados de Chapecó.
Desde 1989 ela recolhe animais da rua. Até mudou de residência para poder cuidar melhor dos bichos. Na casa onde morava antes, os vizinhos reclamavam do barulho. Claudete mudou-se para uma região onde praticamente não há residências e as reclamações pararam. “Não há muitos vizinhos e os que chegaram, chegaram depois de mim, então já sabiam que tinha cachorro”, argumenta.
A alma da Apache
Em 31 de março de 2004, quando a Associação Protetora dos Animais de Chapecó (Apache) foi fundada, Claudete tornou-se voluntária. Hoje, a ONG está temporariamente desativada, mas Claudete, como outros ex-voluntários, continua seu trabalho. Iara Lang, a última presidente em exercício da Apache, define em poucas palavras a atuação de Claudete nos seis anos em que a ONG funcionou: “A Clau era a alma da Apache”. Como a associação não possui abrigo (tampouco os órgãos públicos no município possuem), os animais resgatados ficam nas casas dos voluntários até encontrarem um lar.
Claudete é quem abriga mais bichos. Salete, sua irmã, nunca tem em casa menos de 20. Estrutura = zero. Por isso o abrigo faz falta. É uma reivindicação antiga da ONG e sem ele o trabalho fica seriamente comprometido. Iara comenta que, no último ano em que a ONG esteve na ativa, evitaram recolher animais porque não havia onde deixá-los. Há situações, entretanto, que não há saída. “Como ver um animal sofrendo, agonizando, saber que ele vai morrer se ficar como está e não fazer nada?”, questiona Marita. “Não compreendo como as pessoas podem ser tão frias, perdeu-se o respeito pela vida”.
Por causa dos parcos recursos, o trabalho da Apache estagnou. Mesmo as feirinhas de adoção, que eram realizadas na Avenida Getúlio Vargas nos Dias D, não acontecem mais. As feirinhas surtiam bons resultados, diz Iara. Desafogavam as casas dos voluntários e funcionavam como um local de encontro entre pessoas que pretendem adotar e aquelas que, por diversas razões, precisam se desfazer de seus bichos. Uma média de dez animais eram adotados a cada feira. Quem leva um bichinho para casa, não se arrepende. “Os vira-latas são inteligentes, eternamente gratos e bem mais resistentes às doenças do que os cachorros com pedigree”, comenta Marita, que além das hóspedes da Apache tem em casa Lili Beth, uma vira-latas de 14 anos; Felícia, uma labradora amarela e Luigi, um gato preto que está na família desde 1997.
Histórias caninas
Picaxu é a cachorrinha que está há mais tempo com Claudete. Quando pegou Picaxu da rua, não teve como doá-la logo. Ela estava com cinomose, virose facilmente prevenida através de vacinação, mas extremamente destrutiva depois de contraída. Picaxu demorou muito tempo para se recuperar e, assim mesmo, ficou com sequelas. Quando as sequelas amenizaram, ela já estava “velha” para ser adotada.
Claudete observa que, quanto mais velho o animal, mais difícil de ser adotado. Se a relação lembrar a adoção de crianças, não é mera coincidência… A maioria das pessoas quer filhotes, serelepes e sadios, de pequeno e médio porte. Os adultos, os grandões, os que têm alguma deficiência física ou sequelas de doenças estão condenados a viver na espera. E a espera pode ser longa e, na pior das hipóteses, eterna.

Menina, Mel e Pretinha. Sem infra-estrutura em casa para atender os animais, Claudete se vira como pode.
Uma cadela de médio porte, de pelagem amarela, é uma das integrantes mais recentes do BBB canino de Claudete. Ainda não tem nome. É dócil, bonita, tem os pelos longos e ao redor dos olhos um contorno preto que parece ter sido feito por um maquiador. Seria uma candidata fácil a adoção, não fossem os tiques nervosos incessantes nas patas traseiras que mal a deixam caminhar. A amarela cambaleia, tem as pernas fracas, um olhar triste e distante: ela é mais uma vítima da cinomose.
“É uma doença devastadora, trágica”, observa a médica veterinária Mari Giordani. A cinomose ataca o sistema nervoso central do animal, podendo resultar em convulsões, tiques nervosos e até paralisia dos membros. Muitas vezes o animal urra de dor. “Tente dobrar e esticar seu braço e realizar o mesmo movimento por cinco minutos”, sugere a veterinária, “logo o músculo estará cansado e começará a doer. Imagine agora realizar o mesmo movimento incessantemente, 24 horas por dia. O músculo estafa e a dor é tremenda”, explica. É o que ocorre nas contrações musculares involuntárias causadas pela cinomose.
Como em uma gripe, o tratamento é de apoio: depois de desencadeada a doença, é necessário “esperar” o vírus completar o seu ciclo. Quando diagnosticada e tratada a tempo, o bichinho se recupera, mas as sequelas são comuns, como no caso da amarela. E raramente se reverterão. Mari expõe que, em 26 anos de profissão, viu apenas três casos em que o sistema neurológico se recuperou plenamente e as contrações pararam por completo. As estatísticas não são animadoras. No fundo, Claudete já conhece o destino da amarela, cuja história já viu se repetir por várias vezes com outros animais: ou será adotada por uma família com muita paciência e carinho, ou será mais um dos hóspedes que chegam e nunca mais partem.
Claudete tem na memória a história das dezenas de animais que já ficaram aos seus cuidados. Pergunto se há alguma que tenha lhe marcado por ser muito trágica. Espero a resposta por alguns segundos, mas ela não vem. No lugar de palavras, lágrimas e um suspiro que mistura tristeza e desabafo. Um soluçar sutil toma conta da varanda e mesmo os animais ao nosso redor parecem notar que aquele é um momento de tristeza. Há silêncio. Enxugando as lágrimas com as costas da mão, Claudete pronuncia, com a garganta apertada: “Se for ver… todas…”
Dura rotina
Manter 40 animais alimentados, limpos e medicados não é tarefa fácil. Como Claudete trabalha à tarde, as manhãs e noites são dedicadas aos bichos. Os inquilinos caninos consomem dez quilos de ração por dia.
A conta no final do mês é alta, mas hoje, com as doações que recebe de pessoas e empresas e o auxílio dos outros ex-voluntários da Apache, Claudete mexe menos no bolso. “Tem um senhor que traz todo mês, religiosamente, 50 quilos de ração”, comenta. “É bastante para quem tem um ou dois cachorros em casa, mas para quem tem 40, vai rápido. Por isso toda ajuda é bem-vinda”. Claudete conta que, quando começou a abrigar os cachorros, bancava tudo sozinha.
Cliente antiga de algumas agropecuárias e pet shops, Claudete consegue comprar comida e medicamentos por preços módicos. Com a experiência que acumulou nesses 22 anos, tem algumas artimanhas para baratear as despesas. Usando farinha de milho, alimento nutritivo e de baixo custo, faz uma polenta e mistura com a ração. “Eles adoram, bem mais que arroz”, comenta.
Também conversa com veterinários para arranjar alternativas na hora de comprar medicamentos. Muitos remédios da linha humana podem ser administrados em animais, e costumam ser mais baratos. No anti-helmíntico (remédio para vermes), por exemplo, é possível economizar até R$ 6,00 utilizando o comprimido da linha humana.
Se tivessem consciência (e às vezes parecem ter, porque em cada um é possível observar um olhar de gratidão), estes cachorros sentiriam-se privilegiados. Estudos da Apache estimam que existam cerca de 30 mil animais abandonados em Chapecó, entre gatos e cachorros. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número máximo tolerável de animais de rua – para uma população como a de Chapecó – seria de oito mil indivíduos.
A superpopulação e as zoonoses (doenças transmitidas dos animais para os humanos) transformam a situação dos animais de rua em um problema de saúde pública, que afeta principalmente a população mais carente e, mais intensamente, as crianças. Um levantamento feito nos postos de saúde do município mostrou que algumas crianças chegam a ser tratadas dos mesmos sintomas até seis vezes no período de um ano. As doenças mais comumente transmitidas pelos animais são sarnas e verminoses.
As contaminações sucessivas tornam o tratamento inócuo, já que a causa, que é o convívio com animais doentes, continua presente. A Apache argumenta que, se houvesse tratamento para esses animais, como vacinações e, principalmente, controle populacional, muito se evitaria gastar com saúde pública.
“Toda essa luta, compensa?”, pergunto à Claudete. Com as mãos sujas e a roupa cheia de pelos, um filhote no colo e o resto da bicharada enroscando-se por suas pernas, Claudete dá a resposta sem pronunciar uma palavra. Olha para longe, sem me fitar, e sorri.
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“A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter. Quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.” (Arthur Schopenhauer)
Claudete Michailoff é uma mulher alta, encorpada. Os cabelos grisalhos e curtos combinam com seu jeito prático. Claudete é uma espécie de São Francisco para os animais de rua de Chapecó, um sopro de esperança. Ela não sabe explicar de onde vem o amor pelos bichos, acha que tem o coração mole.
Desde 1989 ela recolhe animais da rua. Até mudou de residência para poder cuidar melhor dos bichos. Nunca tem em casa menos de 30 animais, cães e gatos que foram jogados na rua por sua antiga família ou que já nasceram nessa condição. Muitos foram torturados, judiados até próximo da morte. Mas felizmente há pessoas como Claudete que se sensibilizam com o sofrimento dos bichos.
Claudete se vira nos trinta para manter as vacinas em dia e bancar os 10kg de ração que a bicharada consome por dia. Sem estrutura adequada na pequena casa, tudo que Claudete quer é encontrar um lar para os bichinhos, uma casa onde eles sejam amados e desejados.
Se você está buscando uma companhia de quatro patas, pense na possibilidade de adotar. Os animais sem raça definida são geralmente mais carinhosos e resistentes às doenças do que os animais de raça. Sem contar que serão eternamente gratos pelo gesto da adoção, tenha certeza.
Aqui você encontra alguns animais que estão na casa da Claudete esperando por um lar. Por favor, ajude a divulgar! E se você quiser contribuir com ração ou medicamentos, todas as doações são muito bem-vindas! Entre em contato aqui pelo blog ou pelo fone 49 9971 7203.



















































