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Texto interessantíssimo.

A fotografia me enganou três vezes

Por Clicio Barroso
 

Quando me interessei por fotografia, bem cedo ouvi de todos a quem consultei, incluindo meu próprio pai, que o primeiro passo seria dominar a técnica. Uma tarefa que me parecia longa e complicada, apesar de fascinante e misteriosa. Teria que aprender tudo o que pudesse sobre câmeras: pequenos formatos, médios formatos, grandes formatos. 35mm, 6x6cm, 4x5pol.

Mas isso seria apenas o básico do básico: era mandatório também saber tudo sobre lentes, elementos, grupos, objetivas, zooms, grandes-angulares, olhos-de-peixe, teleobjetivas, macros. Aberturas de diafragma, velocidades de obturador, ASA, DIN, foco, profundidade de campo, profundidade de foco, distância hiperfocal, básculas, química, física mecânica, óptica. Filmes, filtros, reveladores, ampliadores, papéis. Nomes estranhos como Leitz, Zeiss, Schneider, Angenieux, Nikkor. E  não, não acabava por aí; havia que se conhecer de enquadramento; composição; iluminação; direção de modelos; ângulos; plongée e contre-plongée.

Claro que isso tudo só se aprende na escola, e foi exatamente para onde fui. O professor de fotografia era formado em engenharia óptica na Alemanha. O professor de laboratório era engenheiro químico. Uma das maiores marcas da indústria emprestava seu nome à escola. Depois de quatro semestres suados, já trabalhando como assistente de fotógrafo e respirando fotografia 24/7, achei que poderia começar minha própria carreira e “virar” fotógrafo profissional.

E então, começaram os tombos.

“Sua fotografia é muito certinha, falta personalidade”, ouvia de um; “Essa luz é uma luz covarde” vinha outro me dizer.

E descobri da maneira mais difícil que me faltava conteúdo, vivência, conceito. Saber tudo sobre equipamento e como usá-lo não significava absolutamente nada; ter controle dos processos no laboratório também não. O que dava era para viver de fotografia comercial, reproduzindo idéias dos outros e copiando em filme o que já havia sido criado anteriormente.

Reprodutor e plagiário!

Faltava ainda muita coisa.

Primeira mentira: “Fotografia é técnica.”

 

Fui em busca daquilo que, pensava eu, iria modificar a minha fotografia. Cultura fotográfica.

Comprei livros, todos os que pude. Viajei, e fui conhecer as galerias, os estúdios, os ateliers, os museus; Moma, Prado, Galleria degli Uffizi, NY Metropolitan, Guggenheim, MASP, Pinacoteca, MAM, Louvre, Musée de l’Orangerie,  Museu Calouste Gulbenkian, Museu Picasso, Museu de Atenas, Museu do Cairo, Capela Sistina, ICP.

Enxurrada de imagens, de estilos, de épocas, de assuntos, de técnicas. As rupturas, do expressionismo ao surrealismo ao cubismo ao abstrato de Pollock; a Pop Art de Warhol ironizando a cultura contemporânea do consumo. Me esforcei para entender muito do que não podia compreender, estudando, viajando mais, comprando mais livros. Vivi na América do Norte e na Europa, na tentativa de absorver por osmose a cultura visual de que precisava.

A boa notícia é que minha fotografia mudou. Aprendi a olhar para o mundo de forma menos formal. Minha fotografia já não era mais tão “certinha”, tão previsível, o que me garantia uma certa liberdade, e poder viver de uma fotografia editorial que incentivava, compartilhava e absorvia idéias menos convencionais, mais pessoais. Algumas tinham um ligeiro borrado, tremido intencional de baixa velocidade para simular movimento; outras um foco seletivo tão curto que as altas-luzes se misturavam em brilhos poéticos criando um efeito de “desfoque líquido” (como o definiu um amigo fotógrafo), e muitas em ângulos bastante inusitados que permitiam que o não-mostrado fosse fabricado pela mente do observador e se transformasse em imagem, ainda que etérea.

A partir dessa experiência preparei esse meu melhor material não-comercial e o apresentei as galerias e marchands, para expor onde fosse possível; o amadurecimento do trabalho me parecia suficiente para que as minhas “fotografias autorais” fossem aceitas de imediato.

Mas não foi bem assim.

Descobri da maneira mais difícil que me faltava pensamento, profundidade, história. Apesar da trajetória bem sucedida na fotografia editorial e da cultura visual adquirida que me permitia romper com os paradigmas da fotografia comercial tradicional, apenas técnica e olhar não significavam absolutamente nada.

Dava sim para continuar vivendo de uma fotografia comercial menos previsível, e também dava para ensinar um pouco do que já havia sido criado anteriormente, por artistas e fotógrafos relevantes. Mas não mais que isso.

Produtor e instrutor!

Faltava ainda muita coisa.

Segunda mentira: “Fotografia é só olhar.”

 

Voltei para a escola.

O ambiente acadêmico, com seu lastro de pesquisa, de aprofundamento, suas referências, debates, palestras e simpósios só poderiam ajudar a desenvolver o pensamento fotográfico que me faltava. Apesar da surpresa inicial de constatar que a maioria absoluta dos mestres e doutores é incapaz de produzir uma única imagem decente (com raras e conhecidas exceções!), o pensar imagético me pareceu instigante, um desafio intelectual com passeios adoráveis pela filosofia, astronomia, psicologia, mecânica quântica, genética e poesia. A falta de imagens é largamente compensada pelos outros saberes, e a ausência da obrigatoriedade da fotografia aplicada, do ato fotográfico em si, é libertadora ao extremo.

Aqui cabem duas interrupções na linha de pensamento que estamos traçando;

1-) Não só os doutores em fotografia, mas também a grande maioria dos críticos, curadores, filósofos, galeristas e marchands é incapaz de fotografar sem que tentem justificar o injustificável com longos e indecifráveis textos, por vezes totalmente disassociados das imagens em questão. Claro, não são fotógrafos, e deles não se deve cobrar boas fotografias!

2-) A Academia nos dá disciplina, cultura adquirida, deadlines, referências, trabalho em equipe, discussões interessantíssimas, respaldo intelectual, e prestígio. É uma oportunidade que não deve ser desprezada por ninguém, mesmo que não se produza uma única fotografia durante o curso.

O ambiente acadêmico me permitiu sonhar mais, dedicar mais tempo a leitura, pesquisar mais profundamente, a respeitar pontos-de-vista diametralmente opostos aos meus. Além da leitura obrigatória dos autores fundamentais como Roland Barthes,Vilém Flusser, Susan Sontag, Walter Benjamin, Rosalind Krauss, Jean Baudrillard, Philippe Dubois, Arlindo Machado ou Boris Kossoy (dentre muitos outros), poder desfrutar da inteligência e sabedoria  de Helouise Costa, Rosely Nakagawa, Lucia Santaella, Simonetta Persichetti ou Annateresa Fabris (dentre muitas outras) é algo que não se esquece.

Mais uma vez a minha fotografia mudou; ganhou intenção, um pensamento prévio, tornou-se mais econômica e sintética; descolou-se dos aparelhos (técnica, equipamento, fetiches); desvencilhou-se dos truques fáceis (desfoques, movimentos desnecessários, tratamento de imagem).

Pronto. Eu estava pronto para o sucesso.

Mas…

Descobri da maneira mais difícil que as minhas imagens careciam de emoção, de contar uma história intrigante, eloquente ou socialmente relevante de modo não-linear, faltava nelas força política e de denúncia. Apesar de toda a cultura acadêmica, apenas técnica, olhar, pensamento, profundidade e história não significavam absolutamente nada.

Faltava ainda muita coisa.

Terceira mentira: “Fotografia é pensamento.”

 

Então…

Fotografia é emoção?

Fotografia é política?

Fotografia é documento?

Fotografia é construção de realidades?

Fotografia, agora todos já sabemos, pode ser muito complexa.

Ao substituir a pintura (que segundo muitos autores se auto-esgotou no século XX) como método visual preferencial de expressão artística contemporânea, a Fotografia pode ser  olhar, cultura, documento, expressão, linguagem, filosofia, técnica. Ou um pouco de tudo isso junto, em maiores ou menores porcentagens.

Essas três, ou cinco, ou doze mentiras só são mentiras quando tomadas isoladamente; quando somadas, deixam de sê-lo.

Se ouvimos fotógrafos falando em tom irônico de fotografias feitas por cegos, como por exemplo as de Evgen Bavcar, temos primeiro que entender a experiência vivenciada pelo Dr. Oliver Saks, descrita no livro “Um antropólogo em Marte“, de um seu paciente cego que tem sua visão cirurgicamente recuperada, mas ESCOLHE permanecer cego pois a sua maneira de “enxergar”o mundo lhe faz muito mais sentido do que aquela que a “visão” lhe trouxe.

A partir do momento em que compreendi que todos os saberes possíveis não transformariam a minha fotografia em Arte, ela mudou novamente; agora fotografo o que quero, quando quero, do jeito que bem entendo. Mostro um pouco de mim, um pouco do mundo, construo realidades. Manipulo. Uso a técnica a meu favor. Desfoco. Foco. Sou livre com a minha maneira de olhar ou imaginar o que está ao meu redor.

Entendi, finalmente, que a minha fotografia é o que ela é.

Única, tão minha quanto a minha voz ou as minhas impressões digitais, e será considerada Arte quando alguém, que não eu, assim a enxergar.

Como me alertou mais de uma vez o meu amigo Pepe Mélega, não sou artista. Sou fotógrafo.

Sobre Clicio

clicio_minima

Clicio Barroso é fotógrafo profissional, professor de tecnologia digital, consultor da Adobe, consultor do Senac SP, presidente da Associação de Fotógrafos Fototech e publica o podcast Lightroom Dicas.

Natural de São Paulo, é filho e irmão de publicitários.
Iniciou seu percurso profissional em 1972, como assistente de câmera e de direção de cinema, enquanto cursava a Camera Photoagenthur / Nikon School of Photography; cursou também a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro.
Já como fotógrafo profissional, morou e trabalhou em New York, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Madrid, Lisboa e Atenas, fotografando editoriais de moda e publicidade.
Atualmente, trabalha para clientes nacionais e norte-americanos, participa de exposições coletivas e individuais, e por três vezes recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo, categoria Fotografia.
Na área digital, teve oportunidade de aprender com Dan Margulis, Scott Kelby, Deke McClelland, Jack Davis, Matt Kloskowski, Tim Grey, Peter Krogh, entre outros nomes. Com experiência em fotografia digital e gerenciamento de cores, Clicio tem ministrado cursos, palestras e seminários em escolas, faculdades e cursos de pós graduação, em instituições como o SENAC, SESC, UEL, Escola Panamericana, Escola São Paulo, entre outras. Clicio também é presidente da Associação de Fotógrafos Fototech, é colunista da revista PhotoMagazine, colaborador eventual das revistas Fotografe, Fhox, Desktop, Publish, e da Photos & Imagens.
É moderador e um dos “Lightroom Gurus” do Lightroom Forums.
Com formação em multimídia, é membro da National Association of Photoshop Professionals, faz parte da equipe de desenvolvedores do Lightroom nos EUA, é “ACE-Adobe Certified Expert” nos aplicativos Photoshop e Lightroom.
Membro do conselho curador do Paraty em Foco 2009 e 2010, e integrante da RPCFB desde 2009.
É autor dos livros:
“Adobe Photoshop: Os Dez Fundamentos”,
“Adobe Lightroom: Guia Completo para Fotógrafos Digitais”

Blog | Site | Podcast

Uma breve (e sensível) história sobre fotografia.

A fotografia, a rapariga e o fotógrafo

“Ela vira-se para trás, ele baixa a máquina, encolhe os ombros (…) Não resisti, diz.”

Por Tiago Rebelo, Escritor (breveshistorias@hotmail.com)
 
 

Ela tira uma foto a uma foto de uma mulher em tamanho natural.

Ele deambula pelos corredores da galeria. Não é dia de vernissage, é somente um dia qualquer e tem de fazer uma reportagem da exposição de fotografia para o jornal onde trabalha.

Nisto, dá com ela à sua frente. Desloca-se no espaço em redor da fotografia que a interessa analisando–lhe os ângulos com uma câmara à frente do rosto. A roupa que ela usa é desportiva, uma saia comprida, ténis. A roupa da mulher do retrato que ela observa é um vestido comprido. A figura física das duas é semelhante, a posição também. Ele pára a observá-las, a mulher real e a foto. Fascinado com as similitudes, levanta a máquina, tira-lhes uma fotografia. Ela vira-se para trás, ele baixa a máquina, encolhe os ombros, faz uma expressão comprometida. Não resisti, diz. Ela ri-se, não faz mal, responde.

No dia seguinte ela sai de casa, passa pelo quiosque, compra o jornal. Dali a pouco senta-se numa esplanada e pede um café, folheia o jornal e, ao virar a página, surpreende-se com uma grande fotografia sua a tirar uma fotografia a uma fotografia. Leva a palma da mão à boca, espantada, olha instintivamente em redor, passa a página depressa quando a empregada se aproxima, embaraçada. Não saberia o que dizer se a mulher a reconhecesse no jornal. A empregada deixa-lhe o café, vai-se embora. Ela volta atrás a página para se ver melhor. Sente-se corar, envergonhando-se sozinha. É tímida, nunca tinha aparecido no jornal, não percebera que era para isso que o fotógrafo desconhecido a retratara.

Passou mais de um ano. Ela volta à galeria e percorre uma exposição de foto-reportagens e, de repente, vê novamente a fotografia do jornal, agora em tamanho natural. Fica ali especada, perplexa, sem palavras. Vê-se que o fotógrafo a achou muito bonita, diz alguém atrás de si. Ela vira-se para ver quem é o desconhecido que fez o comentário. Abana a cabeça a rir-se, desconcertada. Foi um fotógrafo que me apanhou à socapa, diz, nem sei quem é. Mas olhe que ficou muito bem, diz ele, e é uma fotografia premiada. Tem uma máquina na mão direita, segura-a com descontracção, como se estivesse habituado a transportá-la. Não resisto, diz, tenho de lhe tirar uma fotografia a ver a sua própria foto. Posso? Ela solta uma gargalhada fugaz, divertida, encolhe os ombros, por que não? Tire, é mais uma.

Na manhã seguinte, cumpre a sua rotina diária: compra o jornal e vai lê-lo a tomar o café. Vira a página e não quer acreditar no que vê. Lá está ela de novo, fotografada na véspera. Só então percebe que estivera a falar com o autor da primeira fotografia e nem o reconhecera.

Extraído de: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/a-fotografia-a-rapariga-e-o-fotografo

FOTOGRAFIA

“Uma imagem não vale mil palavras, mas vale mil perguntas.”

(Allan Sekula)

Em Floripa, 2011.

O lugar da fotografia na arte contemporânea

A Escola de Artes de Chapecó promove, na próxima quinta (11), a palestra “As diversas funções da fotografia na arte contemporânea”. Ministrada pela artista e professora de Artes Janaina Schvambach, a palestra aborda a produção artística contemporânea, que cada vez mais se utiliza de novos meios, suportes e tecnologias, como a fotografia e o vídeo.

A fotografia vem ganhando novas abordagens e características inerentes a ela, como legitimação, perenidade, documentação e valor aurático, passam a ser questionadas.

A palestra acontece na quinta (11), das 19h às 20h30 na Escola de Artes. A inscrição custa R$ 5, com material de apoio incluído, e pode ser feita na Escola. Mais informações pelo telefone 49 3322 3690.

[Matéria feita para o caderno de cultura "Comportamento" do Jornal Voz do Oeste de 30 de julho de 2011]

O Twitter em favor da arte

A artista Dafne Pellizzaro é fã de fotografia. E das mídias sociais. Juntando tudo num balaio só, Dafne encontrou uma forma de aliar Twitter e arte e seu trabalho foi parar em uma exposição de fotografias em São Caetano do Sul/SP. Saiba mais dessa história.

 

Foto: Mari Baldissera

O Twitter você já conhece. É o microblog do passarinho azul onde você escreve o que pensa em 140 caracteres. Através dele, pessoas se conhecem, notícias correm na velocidade da luz e atores e políticos cotam sua popularidade.

A cada dia, a ferramenta que transformou a forma de se comunicar via internet ganha novas utilidades. Algumas acabam abrindo portas. Quando a artista e acadêmica do curso de Artes Visuais, Dafne Pellizzaro, adicionou um desconhecido fotoclube de São Caetano do Sul ao seu rol de amigos do Twitter, não sabia o que a esperava.

Pelas postagens do clube ABCClick (@ABCCliCk) no microblog, Dafne (@dafcris) ficou sabendo de um concurso de fotografia e resolveu arriscar. A temática era livre e cada participante poderia escolher quatro imagens para competir. Mas como selecioná-las? Novamente, o Twitter: a artista disponibilizou as imagens e pediu que os amigos votassem nas que mais gostavam. Foi assim que Dafne escolheu e submeteu suas quatro imagens ao concurso, entre elas a do gatinho. Falaremos dela mais adiante…

A foto na vida

Dafne sempre gostou de fotografia. Desde criança, quando ia passar as férias na praia, travava uma batalha homérica com a mãe para pegar a câmera fotográfica e sair clicando. “Era uma briga, minha mãe não queria me dar por receio das fotos ficarem ruins ou eu estragar o filme. Mas quando mandávamos revelar, as fotos quase sempre estavam boas”, relembra Dafne. Culpa do olhar sensível da fotógrafa.

Quando terminou o colégio, queria cursar faculdade de fotografia. Mas na época a avó ficou doente e a família teve de ficar próxima. Descobriu o bacharelado em Artes Visuais da Unochapecó e, quando ficou sabendo que havia uma disciplina de fotografia na grade do curso, não teve dúvidas.

Dafne gosta de fotografar cenas do cotidiano e brinca com movimentos borrados, nus, e abstratos. Também arrisca de modelo para amigos fotógrafos. Além dos clics, a artista trabalha com desenho, pintura e videoarte. Dafne se forma no final do ano e pretende sair de Chapecó, ir em busca de novas oportunidades no campo da fotografia artística, provavelmente em São Paulo.

A foto do gatinho

Entre as fotos escolhidas pelos amigos de Dafne, um gatinho caramelo, sapeca, mordendo um tênis All Star com ar de leão. Dafne não imaginou que aquela imagem teria chance, mas foi justamente ela a selecionada para participar da Mostra Paralela, exposição que encerraria o concurso e premiaria as melhores imagens.

“Das fotos que eu mandei, era a que tinha menor qualidade técnica, foi feita com uma câmera compacta sem muitos recursos. Mas a cena é bonita, a primeira parte da seleção foi por júri popular. Acho que as pessoas gostam de ver fotos fofinhas”, comenta a artista. Dafne prova que, no mundo da fotografia, muitas vezes um olhar atento vale mais do que uma dezena de técnicas.

Dafne com a foto que passou pelo crivo dos amigos no Twitter e foi selecionada para participar de uma exposição em SP: tuitar para alavancar a arte. Foto: Arquivo pessoal.

A artista foi para São Caetano do Sul, em São Paulo, prestigiar a abertura da exposição. Dafne conta que, quando chegou ao local e viu sua foto exposta, não segurou a emoção. “Eles não divulgaram qual foto havia sido selecionada. Foi uma grande surpresa. Eu entrei na galeria e pensei: ‘É o meu gatinho! Ele está aqui!’. Chorei mesmo!”, conta, com brilho nos olhos.

Dafne passou uma semana em São Caetano e, como prêmio por ter a foto selecionada, pôde escolher duas oficinas entre as dez oferecidas no evento para participar gratuitamente. Dafne aproveitou a viagem para fazer uma sequencia de fotos noturnas que pretende usar em um novo trabalho de stop motion. Para conhecer mais o trabalho de Dafne, visite o site www.flickr.com/photos/dafnecristhinne.

Sou fotojornalista e fotógrafa freelance. Faço muitos trabalhos para assessorias de imprensa: inaugurações de empresas, recepções com convidados ilustres, apresentação de novos produtos, festas de confraternização. Costumo definir esse tipo de trabalho como fotografia empresarial (já que existe uma “fotografia social”, embora eu nem saiba se essa denominação de fato existe ou se é coisa da minha imaginação hehe).

Há um tempo entreguei um trabalho de fotografia para um cliente, fotos da inauguração da sua nova empresa, e levei um xingão… não que ele não tenha gostado das imagens: a reclamação veio porque os arquivos eram muito grandes e ele estava tendo um trabalho danado para postar no site e enviar por e-mail.

Quem trabalha com imagem digital corriqueiramente nem sempre se dá conta de que muitos clientes não tem a mínima afinidade com termos como resolução, formato ou tamanho de arquivo. Confesso que até eu me embanano de vez em quando. Trabalho com uma Canon 60D que tem uma resolução de 18 megapixels, algo que já nem é muita coisa para uma reflex. Cada foto fica com um tamanho entre 5 e 8 megabytes, isso que só fotografo em JPEG. Quem costuma fotografar em RAW sabe que o tamanho do arquivo no mínimo duplica.

Então o cliente ficou nervoso com razão. Expliquei que ele poderia baixar gratuitamente um programa da internet para redimensionar não só as fotos que eu havia entregado a ele, mas diversos formatos de arquivo de imagem. Aí sim ele ficou satisfeito!

A partir daí, passei a entregar as fotos gravadas em DVD, como de costume, mas agora em duas pastas, uma chamada ALTA, com as imagens em alta resolução, e outra chamada WEB, com fotos redimensionadas para 1024 pixels do lado maior.

Para isso, uso um programinha gratuito chamado Fotosizer. Nele, você pode redimensionar uma foto ou pastas inteiras. Existem 18 opções de tamanhos mais a opção personalizada, onde você estipula o tamanho em pixels ou “quanto por cento” da imagem quer diminuir. Além disso, você pode escolher o formato de saída entre manter o original, bitmap, JPEG, GIF, PNG ou TIFF.

Uma nova pasta com os arquivos redimensionados é criada no local que você estipular e ele mantém a pasta original, assim os mais descuidados não correm o risco de redimensionar os arquivos originais todos!

Existem outros softwares, claro, para fazer isso. Indico este porque o considero prático e fácil de usar. E o melhor: nunca me deixou na mão.

Baixe o Fotosizer aqui.

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