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“A inteligência muito se parece com o pênis. Não se assuste: o mundo está cheio das analogias mais estranhas… Pois o que é o pênis? É um órgão que, no seu estado normal, é um apêndice ridículo, flácido, que realiza funções excretoras automáticas que não demandam grandes reflexões. Mas, se provocado pelo desejo, ele passa por curiosas metamorfoses hidráulicas que lhe dão a capacidade de ter prazer, de dar prazer e de criar vida. Se não há desejo, é inútil que a cabeça lhe dê ordens…

Assim também é a inteligência. No cotidiano ela se encontra num estado flácido que é mais do que suficiente para a realização das tarefas rotineiras. Quando, entretanto, é provocada pelo desejo, ela cresce e se dispõe a fazer coisas ditas impossíveis.”

(Rubem Alves. Trecho do livro Educação dos sentidos e mais)

APRENDER ou ENSINAR

“Há coisas que só se aprendem se não se sabe que está aprendendo e que só se ensinam quando não se percebe que está ensinando.”

(Rubem Alves)

Pablo, no quintal de casa. Chapecó/SC. 2007.

Boas vindas pra mim ao mundo do blog!

Me rendi aos encantos dessa ferramenta que me promete abrir as gavetas do armário de casa, pro mundo. Chega de papéis escondidos e solitários, resmungando liberdades, naquela caixa de sapato onde se guardam as nostalgias: agora eles estarão transcritos aqui, para quem quiser ler.

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Uma pombinha repousando no fio de energia é da caixa de brinquedos. Exatamente como este blog. (Foto: Mari Baldissera, 2009.)

Não tenho a pretensão de ser muito lida… Isso tudo será muito mais um aprendizado do que um ensinamento, apesar de que, acredite, tenho também coisas interessantes a dizer. Como percebeu alguém, sabiamente: ninguém é tão inteligente a ponto de não ter mais nada para aprender, nem tão burro a ponto de não ter nada para ensinar. Eis a troca. Também não tenho a pretensão de repassar grandiosas informações úteis. De utilidade o mundo está cheio mas, incrivelmente, são as inutilidades que nos proporcionam os grandes momentos de prazer, graça, descontração, contentamento. Os momentos de amenidade na loucura que se tornou o ato de ‘viver’. Rubem Alves consegue ilustrar bem o que quero dizer em sua obra ‘Educação dos sentidos e mais’. Cita Santo Agostinho, que entendia que todas as coisas que existem no mundo se dividem em duas ordens: a ordem do uti e a ordem do frui. Uti é tudo aquilo que é utilizável, útil. Frui tem a ver com fruição, desfrute. Rubem Alves simplificou dizendo que o corpo carrega duas caixas: a caixa de ferramentas e a caixa de brinquedos. A caixa de ferramentas é o uti, as coisas para serem usadas, e a caixa de brinquedos o frui, as coisas para serem gozadas. “Essa caixa [a de brinquedos] está cheia de coisas que não servem para nada. Inúteis. Lá estão um livro de poemas da Cecília Meireles, a ‘Valsinha’, do Chico, um cheiro de jasmim, um quadro de Monet, um vento no rosto, uma sonata de Mozart, o riso de uma criança, um saco de bolas de gude…Coisas inúteis. E, no entanto, elas nos fazem sorrir. [...] As ferramentas não nos dão razões para viver. Elas só servem como chaves para abrir a caixa de brinquedos.”
Esse blog é da caixa de brinquedos.

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