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Do coletivo “Isto não é uma fotografia”

Abertura 06.10 às 20h30

 

[Matéria feita para o caderno "Comportamento" do Jornal Voz do Oeste de 11 de setembro de 2011]

 

Um lar para Moore, um lar para Márcia

Ela é brasileira e coordenadora do curso de Artes da Unochapecó. Ele é irlandês e web designer. Quer saber onde se conheceram? Em casa…

 

Chapecó/Dublin – A culpa é de Letícia. Irmã da artista chapecoense Márcia Moreno, Letícia mora em Dublin, capital da Irlanda, e foi ela quem primeiro conheceu o simpático James Moore.

Moore é um cara magrinho e tímido que fala mais com a ponta da caneta nanquim em seus desenhos do que com a boca. Dono de uma sensibilidade enorme e um olhar atento aos pequenos detalhes, Moore é um conceituado artista irlandês, web designer “aposentado” e tio do namorado de Letícia.

Quando ficou sabendo do trabalho artístico de Moore, Letícia tratou logo de apresentá-lo virtualmente à irmã Márcia, que entrou no blog de Moore e gostou do que viu: sentiu afinidades, descobriu técnicas e temáticas parecidas. “Nós dois gostamos de desenho e trabalhamos os traços com nanquim. Os meus apresentam cor, já os de James não seguem uma regra”, observa.

Logo Márcia teve a ideia: poderiam desenvolver um trabalho artístico juntos. Assim como Márcia, Moore também trabalha a temática da família, da memória e dos lugares que, de alguma forma, lhe são queridos. Inicialmente despretensiosa, a ideia foi amadurecendo e tomou forma ao longo deste ano. “Como trabalhamos temáticas muito similares, foi fácil conciliar os trabalhos para compor uma exposição”, conta Márcia. E assim surgiu “Lar longe de casa” ou, se preferir, “Home, home away from home”.

Expo

A exposição apresenta 10 trabalhos de Márcia e 14 de Moore. A abertura aconteceu na última quinta e a exibição fica em cartaz na Galeria Agostinho Duarte, no bloco C da Unochapecó, até o dia 20.

Segundo Moore, a intenção é despertar no espectador a reflexão sobre os diferentes entendimentos de lar. “‘Home’ significa lar, mas significa também casa, a construção em si. ‘Home’ pode remeter a ideia de lembrança e dos vários ‘lares’ pelos quais passamos ao longo da vida”, comenta.

Entre os dias 15 e 20 deste mês, Márcia e Moore ministrarão um workshop sobre a exposição. “Moore vai falar sobre arte em geral, a arte na Irlanda e as diferenças culturais. No segundo dia, será aplicado um questionário aos participantes com o intuito de instigar a memória, tanto do lar enquanto ‘família’, quanto do lar enquanto ‘casa’”, comenta Márcia.

Os dois últimos dias serão de produção e no dia 21 as obras dos participantes substituirão as obras de Márcia e Moore nas paredes da Galeria. As vagas para o workshop esgotaram logo na primeira semana. Mas a exposição não acaba por aí. No dia 29 é a vez de Moore ser anfitrião de Márcia: os artistas viajam para Dublin para expor no conceituado Pearse Museum. O workshop, nos mesmos moldes, também vai acontecer por lá.

Família

Moore e a companheira Jessica estão hospedados na casa de Márcia. Engana-se quem pensa que a hospedagem é mera hospitalidade brasileira: a vivência também faz parte do trabalho.

Exímio viajante, é a primeira vez que Moore faz uma viagem internacional com propósito artístico, por assim dizer. Diz que a troca cultural está sendo muito intensa e que muitos outros trabalhos resultarão desse tempo empreendido no Brasil. “O povo brasileiro é muito caloroso, muito amável, especialmente a família da Márcia”, conta.

Moore tem certeza que a visita lhe trará dezenas de boas ideias para trabalhos futuros. “O processo artístico é contínuo: você está sempre aprendendo com a arte. Posso ainda não saber exatamente o que vou fazer, mas sei que esta experiência vai render muitos trabalhos daqui para frente”.

Quem vê Jessica e Moore tomando chimarrão na sala de Márcia, como se fossem barrigas-verdes natos, consegue se aproximar ainda mais na proposta da exposição. Um mergulhou na vida e no trabalho do outro transformando a união das obras em algo tão orgânico que parece que sempre foi uma coisa só. Márcia deu um lar a Moore: o seu. E agora é a vez de Moore dar um lar à Márcia, em Dublin. Aguardemos: ninguém volta de uma viagem sem novidades para contar. Essa é a magia de estar em outro lar, longe de casa, mas ainda assim um lar.

 

 

A entrada é gratuita e os convites podem ser retirados a partir de hoje 05.09.2011 (segunda) no setor de Protocolo da Unochapecó.

Será necessária a apresentação do convite na entrada do espetáculo. Os lugares se limitam a 50 em cada sessão.

Foto: Divulgação.

A mostra fotográfica intitulada: “Conheça e preserve as florestas de Santa Catarina” apresenta à comunidade os três tipos de formação florestal do Estado, em 30 ampliações fotográficas, nas quais é possível conhecer um pouco mais sobre as florestas estacional decidualombrófila mista e densa.

As imagens resultam dos registros realizados pelos professores pesquisadores do Curso de Ciências Biológicas da Unochapecó, durante expedições de campo pelo Estado de Santa Catarina.

O Ano Internacional das Florestas foi decretado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a fim de sensibilizar a sociedade para a importância da preservação das florestas para garantir da vida no planeta.

Segundo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), as florestas representam 31% da cobertura terrestre do planeta, servindo de abrigo para 300 milhões de pessoas de todo o mundo e, ainda, garantindo, de forma direta, a sobrevivência de 1,6 bilhões de seres humanos e 80% da biodiversidade terrestre. O Brasil, de acordo com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), é o segundo país com a maior extensão florestal do planeta – atrás apenas da Rússia – tem 516 milhões de hectares de florestas naturais e plantadas, o que equivale a 60,7% do território nacional.

Para marcar o Ano Internacional das Florestas, o Curso de Ciências Biológicas da Unochapecó desenvolveu essa exposição itinerante, com o objetivo de oferecer à população e à comunidade acadêmica conhecimento sobre as diferentes formações florestais do Estado e incentivar a conservação e a gestão sustentável da floresta.

A mostra tem previsão de circulação em diversos espaços até o final de setembro e, depois, escolas e instituições podem solicita-la através do telefone (49) 3321 8210, com Tania.

No Ceom, fica em cartaz no hall de entrada, de 05 a 12 de setembro de 2011, com visitação livre no período de 8h a 12h e de 13h30 a 17h30. Horários especiais e grupos devem ser agendados previamente através do telefone (49) 3323 4779.

[Reportagem feita para a editoria de cultura do Jornal Voz do Oeste de 11 de abril de 2011]

Desvendando a escuridão

Quem nunca se pegou olhando para o céu e pensando em palavras como mistério, beleza e imensidão? O curso de Física da Unochapecó, através das atividades em comemoração ao Mês Global da Astronomia, trouxe para os chapecoenses a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as estrelas e os planetas. A repórter Mari Baldissera foi conferir a observação do céu que ocorreu no último sábado.

Chapecó – Estrela que parece planeta, planeta que parece estrela. Quando se tem um guia dos céus como Diego de Bastiani ao lado, tudo na escuridão fica mais fácil. Diego é estudante do curso de Física da Unochapecó e participa do Grupo de Estudo em Astronomia. Para celebrar o Mês Global da Astronomia, evento realizado em abril pelos “Astrônomos sem fronteiras” em diversos países do globo, o grupo da Unochapecó preparou um calendário de observações do céu para aproximar o público dessa ciência tão rica e, ao mesmo tempo, tão pouco conhecida.

As atividades iniciaram no dia 03 de abril, com noite dedicada à observação de Saturno. Cerca de 100 pessoas foram até o Calçadão para ver, com a ajuda de um telescópio, o planeta dos anéis. No sábado (09) ocorreu a segunda atividade do cronograma. No estacionamento da RBS TV, local privilegiado por ser um ponto alto e afastado da cidade, cerca de 40 pessoas observaram a lua, o planeta Saturno, nebulosas e aglomerados de estrelas.

A noite estava fria e o vento soprava forte. Mas ninguém pensava muito nisso, tamanha era a empolgação: não é todo dia que se tem uma oportunidade dessas. Diego posiciona o telescópio de observação de céu profundo e digita algumas informações no pequeno teclado do computador acoplado a ele. O brinquedo completo, propriedade do curso de Física da Unochapecó, custa cerca de R$15 mil. Segundo Diego, é um equipamento modesto. Telescópios profissionais podem custar muito mais do que isso.

Diego mostra no notebook o que os visitantes verão ao vivo e em cores, no céu.

Logo a fila se forma: todos estão curiosos. Coloco o olho no visor do telescópio e quem vejo lá no alto, ampliado em 450 vezes, é Saturno. “Acho que o Diego recortou o desenho do livro de Geografia e colou ali dentro!”, brinco. As crianças ao redor acham graça, Diego também sorri. Diego é o tipo de cara que, logo nota-se, ama o que faz.

Entre uma pergunta e outra, Diego ajusta o telescópio para os ansiosos observadores conhecerem a Nebulosa de Órion. As nebulosas são formadas a partir da explosão de estrela chamadas Supernovas. Ao explodir, a Supernova joga matéria e gás no espaço. A nebulosa é uma “nuvem” composta pela concentração desse gás. Pode ter várias cores, dependendo do componente químico que há no ambiente.

A nebulosa é um berçário, explica Diego. Elas são responsáveis pelo nascimento de milhares de estrelas e podem também formar planetas ou sistemas inteiros. No universo, a máxima de que nada de perde, tudo se transforma, é absolutamente verdadeira.

Mais alguns botões apertados e o telescópio vira em direção à “Caixinha de Jóias”. O aglomerado formado por cerca de 10 milhões de estrelas coloridas é tão bonito e sugestivo quanto o seu nome. Pelas limitações do telescópio, não é possível ver as cores com nitidez, mas apenas saber que elas estão lá, o vermelho, o amarelo, o verde e o azul, já mexe com a imaginação.

“Caixinha de Jóias” é um aglomerado aberto de estrelas e só pode ser observado no hemisfério sul. Foi descoberto pelo astrônomo francês Nicolas Lacaille, entre os anos de 1751 e 1752. O nome “Caixinha de Jóias” foi dado pelo astrônomo John Herschel que o descreveu como uma caixa cheia de pedras preciosas. John acertou.

“Tudo que vemos na astronomia é luz do passado”, Diego diz. Devido às distâncias quase inimagináveis que nos separam dos outros planetas e do resto do universo, a luz demora muito tempo para chegar aqui. São os tais anos-luz, uma unidade de medida utilizada em astronomia que corresponde à distância percorrida pela luz em um ano. Um ano-luz equivale a aproximadamente nove trilhões de quilômetros. Para você ter ideia, a luz leva cerca de 8 minutos para viajar do Sol até a Terra. Isso significa que, se o Sol deixar de existir, a gente só vai ficar sabendo disso oito minutos depois.

“Talvez a luz que chega aqui hoje seja de uma estrela que já nem existe mais”, sugere Diego. Se o objetivo era deixar todo mundo pensativo, Diego conseguiu. Um silêncio, apenas quebrado pelas crianças brincando ao redor do telescópio, toma conta dos adultos. As crianças talvez ainda não percebam, mas a frase de Diego deixa no ar um número infinito de interpretações. Tão incontável quanto o número de estrelas que a gente viu no céu.

Um é pouco, dois é muito melhor

Quem vai uma vez fica com gostinho de quero-mais. Foi o caso dos professores de música, Tamar Gaulke e Daniel da Silva. O casal participou, no dia 3, da observação de Saturno. A experiência foi tão bacana que eles pretendem comparecer a todas as atividades da programação.

Tamar conta que, na observação anterior, uma nuvem encobriu o céu justamente quando eles chegaram ao Calçadão. Esperaram cerca de uma hora, enquanto Diego mostrava fotos no computador e respondia as curiosidades dos visitantes. Quando a nuvem finalmente foi soprada para longe, Tamar teve a chance de ver com os próprios olhos o planeta dos anéis. “Valeu a espera. Dá para ver tudo!”, comenta. Daniel conta que tiveram sorte. Conseguiram até observar uma estação espacial. “Sabe aquelas coisas que ficam piscando e a gente fantasia que são OVNIs? Pois é, uma estação espacial!”, brinca Tamar.

Foi a primeira vez que o casal observou o céu com equipamento apropriado. A professora acredita que criar essa oportunidade, dar acesso às pessoas e difundir informações sobre astronomia e o universo seja o mais importante do projeto. Para Tamar, tudo que é desconhecido e distante acaba gerando fascinação. “Por isso, quanto mais perto conseguirmos chegar, mesmo que seja apenas olhando, melhor”, conclui a professora.

Os irmãos João Leonardo e Ana Julia Comiran Figueiró, ambos de 8 anos, ficaram encantados com o que viram através do telescópio. João observou a lua e conta que ela é mais ou menos como aparece no livro do colégio. “Só que mais branca e tem umas bolinhas cinzas, que são as crateras lunares”, explica o pequeno com ar de astrônomo mirim.

João não tem duvidas: quer de presente de aniversário um telescópio.

Daniela e Antonio Carlos, pais de João, contam que o fascínio pelo céu intensificou depois que ele teve, na escola, aula sobre os planetas do sistema solar. Segundo Daniela, o futuro astronauta já decorou o nome e a ordem dos planetas. João observa o céu todos os dias com o binóculo que têm em casa e queria acampar no quintal para não perder nenhum detalhe. João já escolheu o próximo presente: um telescópio.

Agenda

Perdeu a última observação? Não se preocupe, a programação do Mês Global da Astronomia vai até a metade de abril. Nos dias 13 e 16, o grande astro da noite será a Lua, satélite natural da Terra.

No dia 13, quarta-feira, as observações serão na Unochapecó, ao lado do terminal de ônibus, às18h30. Já no sábado (16), o encontro para os admiradores do céu ocorrerá no Calçadão de Chapecó, às 19h30. No domingo (17) o evento será durante o dia. O objetivo será a observação do Sol, no Calçadão, às 9h. Com tempo encoberto, as observações serão canceladas. Agora é torcer para as nuvens passarem bem longe.

Nos dias 13 e 16, o grande astro da noite será a Lua, satélite natural da Terra. Foto de Diego de Bastiani.

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